Rogério da Silva



Starting from drawing techniques, the process denounces the traditional perceptions of photography. By exploring characters, events or empty interior spaces from archival images, I transport the expression of photographic memory to drawing. So I create a new memory from that expression.

      About


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BETWEEN THE VISIBLE AND THE INVISIBLE
Drawing 2021


The Eclipse's series of drawings explores the idea of “making the invisible visible” - a concept that deals with the way of subtracting sunlight that is reflected in the human eye to make it possible to observe an eclipse. This way of minimizing sunlight when it enters the retina of the eye, when observing the sun directly under the risk of destroying it, has already been explored in many ways, but even so, it requires great care in the construction of each of these systems. to look at the sun. However, it is not urgent to analyze these construction processes here, as they would detach us from the essential. Thus, what is important to explore at this moment is related to the subtraction of the light on the eye so that, in this way, the observation becomes visible - here it is a matter of pushing the light away from the eye, placing it closer to the darkness through the hole made. on a card attached to a filter.

It seems to me, however, that there is an opposition here in verifying that solar observation is only visible through invisibility. This one, which allows the intensity of sunlight to be subtracted so that, paradoxically, it is possible to observe the light emanating from an eclipse. In this case, the light is hidden by another body. In fact, the eye seeks to see, in this voyer way of peeking, not only what is naturally present in the sky every day, but which, in this altered context, has become forbidden or forbidden to look. Peeking through an orifice almost always means discovering the unknown, the inaccessible. Something that is imagined as a fascination, like magic, “which is always present in the game of contemplation, in the voyeuristic pleasure. In intensity not in duration”. (REIS, 2002: 79)

To reaffirm the notion of subtraction, I tried to make it analogous to the methodology developed in drawing. In this way, the method starts right from the preparation of the support: the paper is covered in its entirety with powder, its surface being covered with a black patina that, in a context of relationships, evokes a photographic emulsion. The drawing is carried out gradually subtracting the black from the paper - contrary to the pencil that he adds - so that, in this way, the luminous parts of the drawing are visible and thus move away from the initial invisibility.

 
REIS, Vitor dos (2002) O Olho Prisioneiro e o Desafio do Céu: Lisboa: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes.


      
ENTRE O VISÍVEL E O INVISIVEL

A série de desenhos de Eclipse explora a ideia de “tornar visível o invisível” - conceito que trata a forma de subtrair a luz solar que é refletida no olho humano para viabilizar a observação de um eclipse. Esta forma de minimizar a luz solar quando entra na retina do olho, ao se observar o sol directamente sob o perigo de a destruir, foi já muito explorada sob variadas formas, mas ainda assim, requer um grande cuidado na construção de cada um destes sistema para olhar o sol. No entanto, não é premente analisarmos aqui estes processos de construção pois iriam desvincular-nos do essencial. Assim, aquilo que importa explorar neste momento é relativo à subtração da luz sobre o olho para que, dessa forma, se torne visível a observação - trata-se aqui de afastar a luz do olho colocando-o mais próximo da escuridão através do orifício feito num cartão fixado a um filtro.

Parece-me, no entanto, que se coloca aqui uma oposição ao se verificar que a observação solar só é visível através da invisibilidade. Esta, que permite que a intensidade de luz solar se subtraia para que, paradoxalmente, seja possível observar a luz que emana de um eclipse. Neste caso, a luz escondida por um outro corpo. Com efeito, o olho procura ver, nesta forma voyer de espreitar, não só aquilo que se encontra naturalmente presente todos os dias no céu, mas que neste contexto alterado, se tornou vedado ou interdito olhar. Espreitar por um orifício significa quase sempre descobrir o desconhecido, o inacessível. Algo que se imagina como um fascínio, como magia, “a qual está sempre presente no jogo da contemplação, no prazer voyeurista. Em intensidade não em duração”. (REIS, 2002: 79)

Para reafirmar a noção de subtração, procurei torná-la análoga à metodologia desenvolvida no desenho. Desta forma, o método inicia-se logo na preparação do suporte: o papel é coberto na sua totalidade com pó, ficando a sua superfície coberta com uma pátina negra que, num contexto de relações, evoca uma emulsão fotográfica. O desenho realiza-se subtraindo aos poucos o negro do papel -  contrariamente ao lápis que adiciona - para que, desta forma, sejam visiveis as partes luminosas do desenho e assim se afaste da invisibilidade inicial.


REIS, Vitor dos (2002) O Olho Prisioneiro e o Desafio do Céu: Lisboa: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes.

Rogério da Silva © 2022