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HOUSE OF WORDS
Film poetry 2021
Duration: 3´02”


House of Words is a film-poem that aims to praise the silent and poetic presence of the space that objects occupy, as inert inhabitants inside a house - this cosmos that Gaston Bachelard defines as “our corner of the world”. These objects, which are imperative in their own time and space, contrast their inertia with the movement of those who live inside the house. The object, along with its insignificant root, is enlarged in this film by the cinematographic language, which means that by giving it a filmic power, along with the written word of Ana Pinto's poem, it tends to free itself from its smallness becoming a sublime and divinized icon. In this way, it is proposed that the objects live in the film as protagonists of a poetic splendor, shaking the senses and calling for his resurrection.
      


Casa das Palavras (House of Words) é um filme-poema que se propõe a elogiar a presença silenciosa e poética do espaço que os objectos ocupam enquanto habitantes inertes no interior da casa - esse cosmos a que Gaston Bachelard define como “o nosso canto do mundo”. Estes objectos, que se revelam imperativos no seu próprio tempo e espaço, contrastam a sua inércia com o movimento de quem vive no interior da casa. O objecto, a par com a sua raiz insignificante, é ampliado neste filme pela linguagem cinematográfica, o que significa que ao atribuir-lhe uma potência fílmica, junto à palavra escrita do poema de Ana Pinto, ele tende a libertar-se da sua pequenez transformando-se num ícone sublime e divinizado. Desta forma, é proposto que os objectos vivam no filme como protagonistas de um esplendor poético, agitando os sentidos e apelando à sua ressurreição.


Entro pela tua casa
eu, que contenho todo o silêncio,
o vagar do mesmo gesto antigo.
De mim, esvaiu-se o último grito crepuscular
e o mar colheu o seu segredo de búzio

Assim, como as ninfas da penumbra tocam
as longas harpas
e a sereia enrola o canto
Assim o clarão da primeira estrela irrompe e
o mundo submerge sob a seda do meu manto.
Madre serena, sou
concha de cerúleo profundo
Da memória inicial teço os finíssimos sonhos
e ergo da umbra
a voz da melancolia.

Poema de Ana Pinto




ENG


I enter through your house
I, who contains all the silence,
the slowness of the same old gesture.
From me, the last twilight cry has faded
and the sea reaped its shell secret

Thus, as the penumbra nymphs play
the long harps
and the mermaid rolls her chant
Thus the gleam of the first star flames
and the world submerge under the silk of my mantle.
Matrix of serenity, I am
seashell of the deep cerulean
From the initial memory I weave the thinest dreams
and raise from the umbra
the voices of melancholy


Poem by Ana Pinto

Rogério Paulo da Silva © 2021