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SUBTRACTION: THE DRAWN LIGHT
Drawing 2021  |  work in progress



These drawings are based on the photographic experimentation process of Henry Fox Talbot(1) and explore the imperfections of the image and the accidental marks we can observe in his photographs. The lack of sharpness and photographic detail that comes from Talbot's constant attempts to figure out how to stabilize the photographed image on a sheet of paper, became for me of central interest to explore the integration of these flaws in the drawing process, allowing for a closer approximation to the discourse of photographic memory. On the one hand, because the photographs convey an atmosphere of mystery, as they are unfinished due to the lack of chemical stabilization; on the other hand, because Talbot's images represent, without fear, the results of his experiments with all these imperfections - faded and unclear images, white spots caused by overexposure of light or darkened by lack of fixation.
By transposing these imperfections to drawing, I try to impress on them the wear and tear of time, like a fungus that poetically takes over the image, enhancing its visual discourse. In this respect, the construction of these drawings surrounds Talbot's photographic process, not through the way the image is captured by the action of light on the paper, but through erasing the dark background of the paper so that the drawing appears as drawn light.


(1) Converting the negative of an image into an image in positive, chemically stabilizing it on a sheet of paper, was the result of experiments carried out from 1834 onwards by the English scientist Henry Fox Talbot. The invention of the photographic process by contact and the stabilization of the image on salt paper, which he named calotype (talbotype), allowed the images obtained through the action of light on a sensitive paper to appear as if they were "drawn by the hand of Nature” - as referred by Talbot in his book The Pencil of Nature (1844–1846).




SUBTRACÇÃO: A LUZ DESENHADA

Estes desenhos foram realizados tendo por base os resultados fotográficos relativos aos processos de experimentação de Hippolyte Bayard e de Henry Fox Talbot(1) e exploram as imperfeições e as marcas acidentais resultantes desse processo, as quais podemos observar nas suas fotografias. Tendo em conta a ausência de nitidez e de pormenor fotográfico que advém das constantes tentativas de Talbot e Bayard em descobrir de como estabilizar a imagem fotografada numa folha de papel, tornou-se para mim de interesse central  integrar essas falhas ao processo construtivo dos desenhos permitindo, desta forma, que se aproximassem ao discurso da memória fotográfica. Considerando que o que é relativo à memória é conhecido como uma zona algo difusa e nebulosa, é proposto nestes desenhos a retenção dessa mesma envolvência que cohabita naturalmente no trabalho destes autores, cujas fotografias se apresentam inacabadas e desbotadas pela falta de estabilização química. Esta estética que natural e expontâneamente fazem parte das fotografias que resultam dos processos de experimentação realizados num determinado passado histórico por estes autores, representam o registo da verdade da imagem associada aos meios existentes na época pelos quais Bayard e Talbot construiram a autoridade das suas descobertas.
Assim, ao transpor as imperfeições dessas experiências fotograficas para os desenhos, pretende-se que a imagem adquira o aspecto de uma memória difusa, manchada, como um fungo que se vai apoderando da imagem representada, potenciando o seu discurso visual. Neste particular, a construção destes desenhos circunda análogo ao processo fotográfico de Talbot. Não através da forma como a imagem é captada pela acção da luz no papel, mas o de ir subtraindo com a borracha o fundo coberto com pó de pastel, tal uma emulsão fotosensível, abrindo manchas, pontos e linhas, para que o desenho surja como luz desenhada.


(1) Converter o negativo de uma imagem numa imagem em positivo estabilizando-a quimicamente numa folha de papel, foi o resultado das experiências realizadas a partir de 1834 pelo cientista inglês Henry Fox Talbot. A invenção do processo fotográfico por contacto e a estabilização da imagem em papel salgado, a que deu o nome de calotipo (talbotipo), permitiu que as imagens obtidas mediante a acção da luz sobre um papel sensível, surgissem como se fossem “desenhadas pela mão da Natureza” - como referido por Talbot no seu livro O Lápis da Natureza (1844–1846).







Rogério Paulo da Silva © 2021